Eu saí de casa sem destino. Isso não é novidade. Eu costumo mesmo sair sem destino...
Mas eu parti sem um destino, sem uma companhia, sem horário, sem metas, sem expectativas.
Ao contrário de todas as vezes em que saio sem destino, dessa vez o que eu tinha era um motivo. Um motivo que só entende quem conhece suas raízes. Dessa vez, eu tinha um motivo que ia além de toda a intenção de distração, entretenimento, um motivo que me desmotivaria de sair, se eu não fosse tão "do contra".
Uma das melhores sensações é perceber os olhares daqueles acompanhados, que te julgam um ser abandonado. É notar a tensão de algumas pessoas enquanto certo alguém não está perto. É provar para você mesmo (e digo, só para você, os outros duvidariam) que você é capaz de se virar, mais uma vez. É perceber que você pode encontrar seu próprio destino, criar suas companhias, mentir sobre o horário, arrumar metas e atingir expectativas, mesmo que antes fossem inexistentes. Ironia do destino (mas veja só, logo ele, o qual eu abandonei na hora de sair) eu me sentir bem acompanhada, e passar por pessoas com aspecto de sozinhas mesmo estando cercadas de outras pessoas. Chego a pensar na chance de ser até mais que uma ironia, quase um sarcasmo do destino.
Quando se está sozinho, as pessoas fazem questão de parecerem úteis, bondosas, e insistem em tentar te fazer companhia, mesmo que você prove que quer e está bem só. Me parece que quem precisa de alguém, no fundo, são elas.
Acabei me encontrando com o tal do destino, e apesar de suas ironias e sarcasmos, foi ele o que me fez voltar pra casa.
