Após muita insistência resolvo me render. Pego minha xícara de café e me sento junto à nação no sofá. Quanto mais assisto, menos entendo a necessidade das pessoas de acompanharem tal programa televisivo. Mas não desisto! Pacientemente respondem minhas perguntas, admito, tentativas de largar a alienação. É em vão. Não entendo as situações, os motivos, nem mesmo as pessoas. E sinceramente, percebo que me sinto melhor não sabendo de nada daquilo. Acaba o programa e as pessoas reclamam de seu curto tempo de duração, já eu, agradeço pelo fim de um sofrimento que por momentos me pareceu eterno. Me levanto, e seguindo o fluxo, participo da roda de comentários after-show. Apenas escuto, e cordialmente concordo. Ao sair dali e voltar para minha não tão pacata vida, noto que não há nada mais fake que esses tais de reality shows. Real mesmo é o meu show, com os meus adversários, aliados, jogos decisivos (ou não) e até minhas eliminações. Não julgo, e até compreendo a curiosidade das pessoas sobre a vida dos outros. Vai ver eu é que ando com uma vontade tão grande de acompanhar minha própria vida, uma curiosidade tão insaciável por mim, que acabo achando isso tudo muito sem graça. Mas uma coisa é certa, após alguns momentos de apenas telespectador da vida alheia não há nada melhor que acelerar o carro, abrir a janela, aumentar o som, sentir o vento no seu rosto, e perceber que ali além de participante, você é o principal (e que tudo ali é real).
